S12. Linguística do Texto e Análise da Conversação  (Comunicações)

DÊIXIS E ANÁFORA: CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS EM ARTIGOS DE OPINIÃO
LEONOR WERNECK DOS SANTOS 1,2
1. UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2. CNPQ - CNPq
leonorwerneck@gmail.com



A perspectiva sociocognitiva e interacional que atualmente norteia a Linguística de Texto (cf. Mondada, 2003; Koch, 2003, 2008; Cavalcante, 2003, 2011) considera o processo de referenciação uma prática discursiva que pressupõe interação entre os sujeitos do discurso, responsáveis por escolhas significativas para representar os referentes de acordo com a sua proposta de sentido. Os fenômenos da dêixis e da anáfora têm sido discutidos por diversos autores, de bases teóricas diferentes - como Halliday & Hasan (1976), Lyons (1978), Ehlich (1982), Levinson (1983), Koch & Marcuschi (2000), Cavalcante (2011), Cornish (2011), dentre outros -, porém nem sempre a abordagem da dêixis observa seu papel na construção de sentidos dos textos. Comparando a abordagem tradicional a textos mais recentes (Cornish, 2011; Abbott, 2010; Branco et al., 2006; Fossard & Rigalleau, 2005; dentre outros), percebemos que os estudos sobre referência acabam por dedicar pouca reflexão à dêixis, que ora é apresentada como subtipo da anáfora, ora parece ser vista como processo à parte. Esta pesquisa, portanto, pretende discutir como a dêixis se situa no atual referencial teórico-metodológico de análise de processos referenciais, demonstrando o continuum referencial e inferencial que norteia as diferenças e aproximações entre anáfora e dêixis. Para isso, analisamos artigos de opinião, publicados na mídia brasileira, que abordam a visita da blogueira cubana Yoani Sanches ao Brasil - fato que desencadeou uma série de manifestações pelo país, defendendo ou acusando-a de traição ao governo cubano. Na análise, destacamos o importante papel da dêixis na construção da coesão e da arquitetura argumentativa dos textos. Como conclusões preliminares, pretendemos comprovar a hipótese de que a dêixis, não se opondo aos casos de anáforas diretas e indiretas (incluindo os encapsulamentos), associa-se a elas como um continuum tipológico de maior ou menor grau de deiticidade (cf. CAVALCANTE, 2000) e necessidade de inferências para sua compreensão.


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