DE UM CORPO TÃO GENTIL COMO PROFANO: UMA HISTÓRIA DE SABER-PODER SOBRE AS PROSTITUTAS NO BRASIL ELIZETE DE SOUZA BERNARDES 1,2, VANICE MARIA OLIVEIRA SARGENTINI 1 1. UFSCAR - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, 2. UFSCAR - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS elizete_sb@hotmail.com |
O projeto de pesquisa, inscrito nos quadros da Análise do discurso francesa, instaura-se na reflexão sobre como historicamente construiu-se, no ordenamento jurídico e em propagandas dosobre o Brasil, a imagem da mulher brasileira em sua relação com a prostituição. Observamos como esse construto sofre re-significações nos dias atuais, ao mesmo tempo em que, carrega efeitos de memórias de períodos anteriores: os enunciados entram em um regime de formação e transformação, de memória, de apropriação, de mutações discursivas. Assim, a problemática de pesquisa é: como o saber-poder jurídico, em seu dinamismo com outros domínios, constrói o conceito de “prostituta” em uma média duração: de 1930 a 2013, no Brasil. A hipótese de pesquisa é de que o corpo, impresso na História (COURTINE, 2011), entra na ordem do discurso (FOUCAULT, 2011a) e, se constitui como a baliza para a construção das subjetividades das prostitutas. Objetiva-se, dessa maneira, compreender quais são as enunciabilidades possíveis em cada temporalidade histórica sobre a prostituta e seu corpo no engendramento do saber jurídico com outros discursos que o determinam e o constroem. A metodologia de trabalho é arqueológica e acompanha o próprio conceito de arquivo (FOUCAULT, 1986) que será composto por enunciados legislativos, bem como por enunciados que com aqueles formam um “domínio associado”: as materialidades da publicidade turística atinentes à “invenção” do Brasil ao olhar do estrangeiro (DAVALLON, 2010). Deseja-se contribuir para a reflexão da linguagem, cuja ilusória transparência é implicada em uma rede histórica e interdiscursiva.
PALAVRAS-CHAVE: Análise do discurso francesa; Corpo-discurso; Saber-Poder; Subjetividades; Prostitutas; Mulher brasileira.
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