S1. Análise de estruturas linguísticas - Pragmática (Comunicações)

USO DE EVIDÊNCIAS FORMAIS COMO ESTRATÉGIA ARGUMENTATIVA EM AUDIÊNCIAS NO PROCON
MÔNIKA MIRANDA 1, AMITZA TORRES VIEIRA 1
1. UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora
mnk_miranda@yahoo.com.br



Este estudo, de natureza qualitativa e interpretativa (Denzin e Lincoln, 2005) e com base em dados reais de fala, tem como objetivo identificar, caracterizar e analisar evidências formais (Vieira, 2002, 2007) utilizadas pelos participantes na defesa de pontos de vista em audiências no PROCON de uma cidade de Minas Gerais. Esse tipo de argumentação foi primeiramente apontado por Aristóteles como um raciocínio em que, estabelecidas duas premissas, deduz-se delas necessariamente uma conclusão (Aristóteles, 1978). Derivado desse silogismo clássico, o entimema toma uma das premissas como suposta por todos os interlocutores e funciona em dois rápidos termos, tal como na forma “Se D, então C”, em que dados do tipo D nos dão o direito de tirar conclusões C (Toulmin, 1958). Essa estratégia argumentativa opera com a intersubjetividade dos interlocutores, por meio de operações não explícitas no discurso. Os resultados parciais da análise mostram a co-construção de evidências formais (silogismos e entimemas) no discurso argumentativo dos participantes das audiências investigadas que podem fazer uso, como premissa, da fala anterior de outro participante. Em alguns casos, apenas uma premissa é apresentada pelo falante e a conclusão é inferida pelos interlocutores que podem aceitá-la ou refutá-la. Em outros, a conclusão é explicitada a partir de premissas inferenciais reconhecidas pelos participantes das audiências. Nesse último caso, é a ocorrência da conclusão que faz com que certas elocuções se transformem em premissas.


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