No estudo do léxico, nossa proposta centra-se no desenvolvimento da competência lexical pelo recorte das relações de sentido entre as palavras, ou seja, das que elas estabelecem umas com as outras compondo cadeias anafóricas no texto, ou pelo recorte da coesão nominal. Nesse estudo, vamos nos concentrar nas anáforas nominais em textos empíricos escritos da ordem do argumentar. O interesse por elas deve-se ao fato de que desempenham funções sociocognitivo-discursivas de grande relevância na construção textual: mobilizam saberes diversos, imprimem orientação argumentativa aos enunciados e relacionam-se com a tipologia textual, constituindo, pois, um importante recurso de textualização. A opção pelos textos argumentativos deve-se ao fato de ser esse o tipo cujo domínio, prioritariamente, espera-se dos alunos durante a Educação Básica. Uma das competências no uso da língua a ser desenvolvidas por eles nessa etapa escolar é a de expor ideias a respeito de um assunto e posicionar-se, criticamente, sobre ele. Nossa proposta destina-se ao Ensino Médio e apoia-se nos pressupostos teórico-metodológicos de Bronckart (2009), Schneuwly e Dolz (2010), Antunes (2012) e adota a concepção sociointeracionista de língua/linguagem e texto. O foco no estudo do léxico deve-se ao tratamento marginal que ele tem recebido no ensino da língua materna, em que, frequentemente, é abordado como lista de palavras, estudadas de forma isolada e, portanto, apartadas de seu contexto de uso. Propomos seu estudo pela via do desenvolvimento da competência lexical. Nessa perspectiva, ancoramo-nos, ainda, nas abordagens dadas a ele por Correia (2011) e Lewis (1997) como um conjunto de unidades em rede e como o “coração” de uma língua, respectivamente. Entendemos que cabe ao professor propor atividades que levem os estudantes ao domínio do léxico a fim de que eles possam fazer uso desse conhecimento para ler e produzir textos com eficiência e autonomia.
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