S3. Análise do Discurso (Comunicações coordenadas)

FUNCIONAMENTOS DA LÍNGUA: O LUGAR DA MEMÓRIA E DA HISTÓRIA
MARIA CLECI VENTURINI (mariacleciventurini@hotmail.com)
UNICENTRO - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE

Centramos as discussões na língua em funcionamento, recortando diferentes materialidades com o objetivo de destacar a contradição da língua em funcionamento, a qual apesar de ser relativamente autônoma, convoca memórias e históricas que legitimam determinados efeitos de sentido e não outros.

Resumo #1

O funcionamento da contradição da língua na história
Maria Cleci Venturini (mariacleciventurini@hotmail.com)

O emprego das palavras não é indiferente aos sentidos. Esse é um sentido corrente e aceito na Análise de Discurso e, também em outros campos disciplinares e se sustenta no fato de a língua comportar, ao mesmo tempo, a incompletude, a falha e a falta e determinar a interpretação pelas memórias que convoca e pela historicidade, legitimando determinados efeitos de sentidos e não outros. Diante disso, nosso objetivo é refletir em torno do funcionamento da língua, em materialidades midiáticas, estruturadas pelo verbal e por imagens, enfatizando que uma mesma palavra comporta efeitos de sentidos distintos, dependendo da memória e da história que convoca, enquanto exterioridade. Para dar conta desse objetivo, centramo-nos na palavra manifestação, que circulou na capa da Revista IstoÉ, de 02 de dezembro de 2013 e que significa diferentemente na Revista Época, de junho de 2013. Agregamos a essas duas materialidades o texto “Cenas brasileiras”, publicada na Revista Época, de 11 de novembro de 2013, em que manifestação se diferencia de protesto. Vale destacar, que nessas materialidades, há visibilidade aos sujeitos e á inscrição deles em lugares e em posições, que determinam o que eles podem ou não podem fazer ou dizer. Por essas materialidades e pelo funcionamento da língua, da memória e da história, podemos dizer que uma mesma palavra em torno de um mesmo acontecimento, dependendo dos suportes e do período em que circula, mobiliza memórias e historicidades distintas, repetindo ou rompendo com a regularidade, instaurando, por vezes, o novo. (Apoio Fundação Araucária)

Resumo #2

Arquivo, memória, história na legitimação/institucionalização da revista acadêmica
Zélia maria Viana Paim (zeliampv@hotmail.com)

Nesta pesquisa, procuramos desenvolver problematizar a relação arquivo/memória/história, buscando pelas regularidades que perpassam esses domínios e que entendemos como a completude/incompletude potencial legitimada de um ou de outro modo pela instituição na qual nosso objeto material de pesquisa se insere. Diante disso a questão que nos move é: como os efeitos de completude e de incompletude se constituem materialmente em revistas acadêmicas, pelo funcionamento da língua na história. O objeto de pesquisa é, então, a revista acadêmica, que se configura a partir de “arquivos a se ver” – artigos – e “arquivos a não se ver” – pareceres. Para entendermos tal peculiaridade institucionalizada e legitimada filiamo-nos a HIL (História das Ideias Linguísticas) e a AD (Análise de Discurso). Podemos dizer, a partir de pesquisas já realizadas que os artigos dados a se ver são elementos alçados à “modalidade da presença”, se publicados; enquanto os pareceres, à “modalidade da ausência”. Partimos do princípio de que a circulação do conhecimento científico se apoia sobre instrumentos, tais como as revistas acadêmicas, e essas em estruturas sociais de produção/acumulação/distribuição de conhecimento, a instituição acadêmico/científica. Essas comunidades são “normativas” e “têm uma função social geral de validação e legitimação” (AUROUX, 2008) do conhecimento científico, ao mesmo tempo em que eles as legitimam como lugar de constituição da cientificidade. Para a história das idéias linguísticas, ao longo dos séculos XVII e XVIII, surgem as Academias e as comunidades científicas que consagram parte significativa de sua atividade aos estudos da linguagem; nas últimas décadas.(Bolsista PNPD/CAPES)

Resumo #3

A constituição de fundos documentais a partir de arquivos pessoais de pesquisadores
Simone de Mello de Oliveira (simone.mo@gmail.com)

Nossa pesquisa se insere no projeto “Linguística no Sul: estudos das ideias e organização da memória”, desenvolvido sob a coordenação e supervisão da prof. Amanda Eloina Scherer do Laboratório Corpus. Esse projeto tem como objetivo principal a reflexão sobre a constituição da memória e da história disciplinar dos Estudos da Linguagem na contemporaneidade no contexto do Sul do Brasil, através do estudo de revistas acadêmicas, eventos científicos, arquivos pessoais de pesquisadores, entre outros. Nossa comunicação se focará o terceiro item listado, arquivos pessoais de pesquisadores, de forma a apresentar os desenvolvimentos do nosso trabalho com a criação de fundos documentais de pesquisadores. Com este trabalho, nosso objetivo é recuperar a devida dimensão de estudos e estudiosos até então esquecidos/relegados ao esquecimento, historicizando a lingüística feita na época. Os principais conceitos mobilizados são os de arquivo, memória e historicidade. (Bolsista PNPD/CAPES)


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