O estudo pretende investigar as motivações sociais para o uso de code-switching entre os akwen xerente. Esse povo indígena convive com duas línguas em seu cotidiano, a língua nativa, o xerente (Jê), além do português – geralmente a L2. Os dados de code-switching produzidos pelos falantes indígenas são investigados tendo como suporte o Modelo de Marcação proposto por Myers-Scotton (1993). Segundo o modelo, os usos linguísticos estão permeados por escolhas baseadas nas avaliações de custos e recompensas potenciais das alternativas. Entre os xerente, as decisões sobre os códigos, tipicamente inconscientes, são realizadas em meio a um contexto de bilinguismo e contato linguístico e cultural com configurações diglóssicas. As análises apontam que as escolhas, baseadas na negociação de identidades na interação e suas consequências, revelam os espaços sociais geralmente reservados a cada língua. Além disso, observa-se que algumas variáveis, tais como a faixa etária dos falantes, o espaço aldeia/cidade e o tópico da conversação – além de outras – exercem influência sobre as escolhas, revelando configurações do atual contexto sociolinguístico da língua akwen. Assim, o português se apresenta como a escolha não-marcada em alguns contextos específicos, geralmente onde estão envolvidos falantes mais jovens, na cidade e tratando de assuntos relativos àquele ambiente. Esse fato destoa da base normativa dentro da comunidade, ou seja, o uso da língua indígena como escolha não-marcada, coincidindo com a L1 dos falantes.
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