P9. Historiografia Linguística (Comunicações dentro de Projetos)

ENSINO DE PORTUGUÊS E ENSINO DE COMO ENSINAR PORTUGUÊS: MAGDA SOARES E MAXIMIANO AUGUSTO GONÇALVES
NANCY ARAKAKI 2, SÔNIA MARIA NOGUEIRA 1,2
1. UEMA - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO, 2. IP-PUC/SP - INSTITUTO DE PESQUISA-PUC/SP
nogueirasonia@yahoo.com.br



A elaboração de livros didáticos para o ensino da Língua Portuguesa, produzidos no Brasil em meados do século XX, atestam o compromisso e o interesse do Estado em formar cidadãos comprometidos com os interesses da Pátria. É nesse contexto que surgem a coleção “Português através de Texto: 1ª série”, de Magda Soares Guimarães, com a primeira edição de 1967, e a série “Língua Pátria de Maximiano Augusto Gonçalves” direcionada ao curso Ginasial (1ª a 4ª séries) com publicação sequencial nos anos de 1960 a 1964, chegando à 62ª edição em 1966 cujo tema “pátria e patriotismo” atravessa toda a série. Nosso objetivo é descrever como se deu o processo de transposição de um ensino que privilegiava materiais didáticos divididos em Antologias e Gramáticas para o novo modelo de Livro Didático, que passou a ser constituído por capítulos com textos e gramática, que ainda incluíam exercícios e manual do professor. A análise dessas obras, sob uma perspectiva historiográfica, é relevante tendo em vista a possibilidade de comprovar que as políticas linguísticas para o ensino de língua materna estão estreitamente vinculadas à política do Estado quando e onde a escola aparece como sua aliada. Além disto, é possível demonstrarmos, por meio do conteúdo didático-pedagógico, que o ensino da língua nacional no Brasil acompanhou as tendências políticas contemporâneas dos autores. Sendo assim, constatamos que a autora, preocupada com o ensino da língua, atenta às leis educacionais e de acordo com o clima de opinião, está à frente de seu tempo quando elabora essa obra. Embora, nesse período, a Linguística Brasileira estivesse apresentando avanços significativos e inovadores no ensino da língua materna, o autor não rompe com o tradicional “ler e escrever corretamente” para aliar-se às novas tendências intelectuais o que configura que as políticas linguísticas atendem e dependem de vontade política do Estado.


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