O presente trabalho propõe-se a analisar, fundamentados na Análise do Discurso, derivada de Michel Pêcheux, a produção de efeitos de sentido no discurso cinematográfico de Navalha na carne (1ª adaptação – 1969) de Plínio Marcos por um viés discursivo, focalizando a constituição, a formulação e a transmissão desse discurso coloquial emergente, observando as modulações e as propriedades da voz e a libertação do corpo para verbalizar como enunciadores do discurso. Evidenciaremos as marcas linguísticas de oralidade e coloquialismo utilizadas em Navalha na carne, focalizando na voz as indicações ideológicas, tentando, por meio das personagens, (re)produzir espontaneamente um discurso que represente a coletividade relacionando as propriedades política/teatro. As modulações das formas do falar, ou seja, da voz utilizada no momento da enunciação podem ser entendidas como índices das relações sociais de uma determinada época. Os estilos de linguagem desses enunciados parecem coadunar-se com as FDs e com as condições de produção do discurso, participando ao menos eventualmente da construção dos sentidos do dizer no contexto autoritário das décadas de 1960/70. Partimos da hipótese de que há certa homologia nesses textos entre as formações ideológicas, as formações discursivas, o registro linguístico, as modulações e dinâmicas vocais de que se valem as personagens. Nos deteremos nas propriedades e modulações da voz e em suas implicações na produção dos efeitos de sentido como constituinte do sujeito e/do discurso, na medida em que elas coadunam-se com a constituição e formulação do discurso. A possibilidade de analisar consonâncias entre verbo, corpo e voz no discurso artístico do teatro brasileiro, nos faz observar que o discurso se apresenta em diferentes formas semiológicas, num conjunto de transformações históricas, sociais e culturais.
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