P19. Fonologia: teoria e análise (Comunicações dentro de Projetos)

A REDUÇÃO DOS DITONGOS NASAIS: REVISANDO UM PROBLEMA
CAIO CESAR CASTRO DA SILVA 1,2, CAROLINA RIBEIRO SERRA 1, DINAH MARIA ISENSEE CALLOU 1,2
1. UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, 2. CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
caiocvianna@gmail.com



Neste trabalho, pretende-se analisar a redução dos ditongos nasais na fala de indivíduos cultos e não cultos do Rio de Janeiro. Na análise dos dados, alia-se o aparato teórico-metodológico da teoria da variação e mudança (WEINREICH, LABOV e HERZOG, 1968) ao da teoria da hierarquia prosódica (NESPOR e VOGEL, 1986). Em geral, assume-se que o fenômeno, tido como característico de falantes menos escolarizados (AMARAL, 1955; VOTRE, 1978), está correlacionado à posição silábica final não acentuada (VOTRE, 1978; GUY, 1981; BATTISTI, 1997; BOPP da SILVA, 2005). Entretanto, casos como (a’) são bloqueados no português brasileiro. (a) Num tenho nada contra ele não. (NIG-A-1-M) (a’) * Num tenho nada contra ele num. Os objetivos deste estudo pautam-se nas hipóteses de que (i) o fenômeno não é um traço da gramática de indivíduos menos escolarizados, podendo ocorrer também entre falantes cultos, e (ii) fronteiras prosódicas mais altas que a da palavra fonológica (i.e., fronteiras de sintagma fonológico e de sintagma entoacional) podem atuar na (não) aplicação da regra. Para tanto, observam-se as ocorrências do processo na fala de informantes com alta escolaridade (ensino superior) e baixa escolaridade (ensino fundamental) de duas regiões do Rio de Janeiro (Copacabana e Nova Iguaçu). Os dados foram coletados no corpus do Projeto Concordância e examinados de acordo com metodologia padrão de qualquer análise empírica. Os resultados preliminares apontam que, embora seja mais frequente entre falantes não cultos (24% de 426 dados), o fenômeno não pode ser considerado uma característica das gramáticas desses indivíduos, uma vez que ocorre também entre falantes cultos (16% de 568 dados) e a não aplicação da regra é mais recorrente (81% de 994 dados). Além disso, a fronteira direita de IP inibiria o processo, enquanto a fronteira de Pw (posição interna de IP) o favoreceria amplamente (75%).


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