Esta pesquisa foi realizada com base nos pressupostos das Teorias Mórica (HARRIS, 1983; HAYES, 1989) e da Otimalidade. O objetivo do estudo é discutir a relevância do peso para a acentuação de itens terminados por sílaba CVC em língua portuguesa tanto em palavras simples como derivadas. Analisamos dados de um banco de mais de 10.000 palavras construído com base no dicionário Houaiss 2009, todas terminadas por essa estrutura. Há uma grande alternância entre CVC acentuada e não acentuada como em anel vs. rímel ou pires vs. nariz. Primeiramente, defendemos que consoantes pós-silábicas estão sujeitas à regra de peso por posição cujo contexto em português é a posição final de palavra. Apenas nesse contexto podem receber moras, portanto. Além disso, mostramos que sílabas fechadas ou complexas diferem de sílabas pesadas. Há casos em que o C final não recebe unidade de peso e a sílaba é monomoraica, o que explica o comportamento diferenciado no processo de atribuição de acento. Verificamos a atuação de patamares de sonoridade na palavra primitiva em português: as soantes /l/, /r/, /N/ em geral recebem peso enquanto a obstruinte /S/ é leve na palavra simples e pesada quando em sufixo. Exceções são justificadas, uma vez que as alternâncias têm razões prosódicas e morfológicas, ou seja, o acento é sensível ao peso e também à estrutura morfológica da palavra. Certos sufixos atuam de modo a disparar uma formação de pés diferenciada do que seria esperado em termos com CVC final. A discussão proposta é feita por meio do modelo de restrições indexadas Pater (2000, 2004, 2007) que nos permite a clonagem e indexação de restrições que atuam em contextos específicos, indicados pela indexação do item lexical ou morfema. O modelo não só explica o comportamento diferenciado de certas estruturas como também seleciona os candidatos alternantes corretamente.
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