CONSTRUÇÕES CAUSATIVAS E REFLEXIVAS NA LÍNGUA TENETEHÁRA (FAMÍLIA TUPÍ-GUARANÍ) | ||||||||||||||||||||||||||
Este trabalho tem o objetivo de oferecer uma análise descritiva e teórica das estruturas causativas e reflexivas na língua Tenetehára (família Tupí-Guaraní). Investigaremos, assim, o estatuto gramatical dos morfemas envolvidos nestes processos. Para isso, apresentaremos dados em que há a coocorrência de morfemas causativos e reflexivos, como se pode ver a seguir:
Note que a ordem de coocorrência dos prefixos {ze-}, {mu-} e {-kar} não é trivial: a disposição em que tais morfemas ocorrem reverbera nas duas leituras acima. Em termos descritivos, veja que o evento desencadeado pelo argumento externo baixo “o menino” recai, em (1), sobre ele mesmo e, em (2), sobre o argumento externo alto “a menina”. A partir de dados como (1) e (2), o propósito é, em termos teóricos, verificar em que medida os afixos apresentados acima podem ser interpretados como a realização dos núcleos de vP e de VoiceP. Este trabalho acompanha Kratzer (1994, 1996) Chomsky (1995) e Pylkkänen (2008). Aventamos que os morfemas causativos {mu-} e {-kar} encabeçam o núcleo de vP, cujo complemento corresponde ao evento causado. Ademais, traremos evidências de que estes morfemas causativos instanciam vPs de natureza distinta, uma vez que os morfemas {mu-} e {-kar} são responsáveis pela causação direta e indireta, respectivamente (cf. Camargos, 2013). Por sua vez, o morfema reflexivo {ze-} é a realização fonológica do núcleo de VoiceP. Esta última proposta, segue a intuição de Schäfer (2008), de que a projeção VoiceP é a responsável pela alternância de voz ativa e reflexiva nas línguas naturais. | ||||||||||||||||||||||||||
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