O objetivo deste trabalho é abordar o fenômeno de sândi vocálico externo, entre outros aspectos fonológicos do Português Arcaico (PA) ou galego-português, século XIII, à luz de teorias fonológicas não-lineares.O termo sândi, nome proveniente da antiga gramática sanscrítica, designa alterações morfofonêmicas condicionadas fonologicamente por meio do contato entre formas da língua (TRASK, 2004, p.261). Essas alterações podem ocorrer tanto no interior do vocábulo, sendo assim interno, quanto na justaposição vocabular - final de um vocábulo com o início de outro; neste caso, o processo é denominado, então, como externo. Neste trabalho, apresentamos os casos de sândi externo na justaposição de vogais –arrolados na bibliografia como elisão, crase e ditongação- no PA, utilizando como corpus as Cantigas de Santa Maria (CSM). Desde os tempos antigos, a língua tende a desfazer hiatos no interior da palavra. O encontro vocálico em limite de vocábulos, seguido do desaparecimento de uma sílaba e a imediata ressilabificação dos segmentos que passam a ser agregados à sílaba remanescente constituem o percurso à resolução do hiato. Como metodologia, adotamos a proposta de Massini-Cagliari (1995) para o PA que evidência características prosódicas dessa língua por meio da estrutura métrico-poética da poesia. A fim de observar e analisar esses processos fonológicos, partimos da escansão e da contagem das sílabas poéticas dos versos das cantigas medievais galego-portuguesas, com o intuito de mapear a analisar o processo fonológico encontrado na sequência de vogais pertencentes a dois vocábulos distintos. Por meio da abstração da escansão dos versos em sílabas poéticas, foram determinados os limites entre as sílabas fonéticas e, em seguida, observadas as soluções dada pelo falante (trovador) para os encontros intervocabulares envolvendo vogais (FAPESP 2011/23104-0).
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