S3. Análise do Discurso (Comunicações coordenadas)

GÊNEROS JORNALÍSTICOS IMPRESSOS EM UMA PERSPECTIVA CRÍTICO-DISCURSIVA
MARIA LUCIA DA CUNHA VICTORIO DE OLIVEIRA ANDRADE (maluvictorio@uol.com.br)
USP - UNIVERSIDADE DE SAO PAULO

Os trabalhos apresentados nesta sessão integram o Projeto História do Português Paulista (PHPP) e dedicam-se ao estudo crítico-discursivo de gêneros jornalísticos impressos, particularmente: a notícia, a carta do leitor e a carta do editor, visando a fazer um estudo interdisciplinar que integra a História, a Sociologia, o jornalismo e a Linguística.

Resumo #1

EM BUSCA DAS ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS E DAS IDEOLOGIAS VEICULADAS PELOS JORNAIS “FOLHA S. PAULO” E “DIÁRIO DE S. PAULO” NO CONTEXTO SOCIAL CONTEMPORÂNEO
Paula de Souza Gonçalves Morasco (psouzag@yahoo.com.br)

Por meio da análise dos jornais “Folha de S. Paulo” e “Diário de S. Paulo”, dos anos noventa até os dias atuais, buscamos comprovar algumas questões relativas à imprensa paulistana no que diz respeito às estratégias discursivas em relação aos seus leitores. Como analisamos dois jornais escritos, em teoria, para públicos diferentes, enfatizaremos os recursos que projetam efeitos de sentido para envolver o interlocutor com o intuito de entender como se dá a construção do discurso da mídia impressa atualmente na cidade de São Paulo. Verificamos também, comparativamente, a existência de ideologias preconceituosas em relação às minorias em suas notícias, além de buscar fatos que comprovem que, com a ascensão de uma nova classe média, mudanças estão ocorrendo no sentido de acolher, ainda que de maneira camuflada, esta nova fatia da sociedade brasileira. Vale ressaltar que apostamos que haja uma certa diferença entre as abordagens de cada jornal, seja pela ideologia que seguem, seja pelo público que querem atingir. Para a realização deste trabalho, fundamentamos a pesquisa em perspectivas teóricas sobre a dimensão discursiva da ligação entre discurso e ideologia e sobre as estratégias de envolvimento e seus efeitos de sentido no discurso impresso jornalístico (VAN DIJK, 1984,1990; FAIRCLOUGH, 1989; WODAK, 1989 entre outros).

Resumo #2

A CONFIGURAÇÃO SOCIOSSEMIÓTICA DA RECLAMAÇÃO EM CARTAS DO LEITOR NA IMPRENSA DE BAIRRO PAULISTANA
Paulo Roberto Gonçalves Segundo (paulosegundo@uol.com.br)

Este trabalho, inserido no âmbito do Projeto História do Português Paulista, visa a apresentar os resultados referentes à análise da estrutura retórico-teleológica de reclamação, vigente em textos de mobilização da voz do leitor na imprensa de bairro paulistana, coletados em dois momentos históricos: no período totalitário e na primeira década do século XXI. Tal modalidade de imprensa prima pela criação de vínculos de pertença e/ou de identificação, pautados em uma construção discursiva que destaca a experiência comum entre produção e consumo textual, assentada em representações e avaliações complacentes em relação ao que se pressupõe acerca da comunidade leitora, em uma atitude contínua de demonstração da capacidade do periódico em atender as reivindicações e as demandas do público. Por essa razão, é de suma relevância que haja espaço, nessas publicações, para que o leitor seja subtraído do anonimato e encontre espaço para a amplificação da sua voz, tanto em termos de seus posicionamentos críticos ou laudatórios perante o comportamento humano, quanto em termos de suas demandas e necessidades, muitas vezes, ignoradas pelos órgãos públicos e pelas organizações privadas. Assim, a partir de uma abordagem sistêmico-funcional (Halliday & Matthiessen, 2004; Martin & White, 2005) e cognitiva (Talmy, 2000; de Mulder, 2007), apoiada em análises quantitativas e qualitativas que permitem visualizar a combinatória de padrões de recursos linguísticos para uma abordagem dinâmica da estruturação textual, verificou-se a forte relevância dos padrões de atitude ― ligados à avaliatividade ― e de modalidade na configuração de um quadro negativo da realidade presente e na incitação de mudanças práticas, assim como a emergência de uma estrutura retórico-afetiva de indignação, marcada por oito estágios argumentativo-avaliativos, que embasa a formação de uma gama de textos dessa orientação teleológica.

Resumo #3

A VOZ FEMININA NO JORNAL PAULISTA “A FAMILIA” (SÉCULO XIX)
Maria Lúcia da Cunha Victório de Oliveira Andrade (maluvictorio@uol.com.br)

Por meio de cartas da editora publicadas no jornal literário "A Família" selecionadas entre as primeiras edições do ano de 1888 analisamos a posição que as mulheres ocupavam na família e na sociedade brasileira, nesse final de século visando a resgatar os discursos que fundamentam e prescrevem o sentir, o fazer e o saber do sujeito mulher na sociedade paulista e que determinam suas formas de ser no desempenho de diferentes papeis, seja como esposa, como dona de casa ou mãe, e como mulher que agora tem uma profissão e se projeta na sociedade por desempenhar mais essa função. Esse perfil feminino é desenhado através da escrita da fundadora e editora do Josefina Alvares de Azevedo – professora e escritora – que tinha como objetivo interagir com a mãe de família, visando à sua educação. Buscamos, portanto, analisar as relações dialógicas estabelecidas entre enunciador e enunciatário nas cartas da editora, enquanto práticas discursivas ritualizadas que possuem um espaço específico na referida publicação. A partir dos pressupostos teóricos da Análise Crítica do Discurso elaborados por Fairclough (2003, 2006) e Van Dijk (2003, 2012), revelamos como o jornal concebe, metaforicamente, a interação com as leitoras, criando um tipo particular de envolvimento, chegando mesmo à cumplicidade. Para construir um perfil do enunciador (ethos) e como deseja transformar seu enunciatário (as leitoras), consideramos não apenas as escolhas lexicais e as implicações sociais e ideológicas, mas também o contexto sociocultural em que o texto se instaura. Importa observar como esse gênero discursivo, a carta da editora, forma e propaga um conceito de comportamento social feminino que perpassa toda a publicação, trabalhando como a linguagem empregada constitui uma estratégia de persuasão que legitima os padrões ideológicos existentes em nossa sociedade no final do século XIX.


346