A partir de uma abordagem pragmática dos actos insultuosos e injuriosos (baseada nos trabalhos de Larguèche 1983 et 2009, et Lagorgette 2009), nesta pesquisa propomo-nos analisar os procedimentos subjacentes à transgressão moral e social que conduz sistematicamente à desvalorização do outro.
A partir de um corpus recolhido nas redes sociais (de novembro 2013 a fevereiro 2014), procedermos à análise dos enunciados pejorativos, insultuosos ou considerados como tal, que surgem no quadro de discussões de temas do cotidiano, aparentemente inócuos.
Este estudo está ancorado nos trabalhos teóricos que relacionam a descortesia e a violência verbais, nomeadamente os que foram efetuados por Bousfield & Locher (2008) et Culpeper (2011),entre outros.
Seguidamente, este trabalho visa a analisar e a descrever os procedimentos linguísticos que traduzem as manifestações de indelicadeza e agressividade verbais e tentará mostrar como em determinados discursos/enunciados são múltiplos os elementos que exprimindo a visão depreciativa, a decepção, a indignação e mesmo a cólera podem ilustrar a agressividade dos intervenientes.
Tentaremos, por fim, de demonstrar como as redes sociais constituem espaços de interação propícios a géneros discursivos intrinsecamente de confronto verbal que manifestam «uma certa preferência pelo desacordo» (Doury 2009) e pelo disensus (Amossy 2012), distanciando-se, ou desrespeitando em parte, as regras de cortesia inerentes às interações verbais, tendo em vista, nomedaamente, uma dimensão espectacular.
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