Introdução: Este trabalho, desenvolvido no âmbito da Neurolinguística enunciativo-discursiva (Coudry, 1986/1988, Novaes-Pinto, 1999, Souza-Cruz, 2013, dentre outros), discute questões teórico-metodológicas acerca das "parafasias semânticas" produzidas por sujeitos afásicos. Marco teórico: Este fenômeno, de alta frequência nas afasias, mas também presente na linguagem dos sujeitos não-afásicos, caracteriza-se pela palavra produzida no lugar de outra - a palavra-alvo. Tradicionalmente, classifica-se em: i) semântica (quando há uma relação semântica clara entre a palavra-alvo e a palavra produzida), (ii) lexical (quando não há uma relação semântica aparente) e (iii) literal (quando há semelhança sonora entre ambas). A literatura neuropsicológica relaciona a parafasia semântica às lesões posteriores e, portanto, às afasias fluentes, enquanto nas afasias não-fluentes predominariam as de natureza sonora. O objetivo deste trabalho é questionar esta afirmação e desenvolver a hipótese de que as parafasias semânticas estão presentes também de forma importante nas afasias não-fluentes. Em decorrência de maiores dificuldades de auto-correção e pela produção de enunciados telegráficos, nas afasias não-fluentes, torna-se mais difícil identificar uma parafasia semântica. Análises qualitativas de enunciados concretos, de cunho microgenético, são capazes de apontar evidências acerca dessas dificuldades e da natureza dessas parafasias. Questiona-se, neste trabalho, assim, a classificação tradicional das parafasias, bem como a metodologia que geralmente é utilizada para sua abordagem. Metodologia: Serão analisados dados de parafasias de sujeitos afásicos, extraídos de episódios dialógicos com sujeitos não-afásicos, ocorridas em sessões individuais ou coletivas do Grupo III do CCA (Centro de Convivência de Afásicos). Conclusões: As análises nos levam a concluir que as parafasias semânticas ocorrem em todos os tipos de afasias e que as análises qualitativas de enunciados produzidos em contextos de uso efetivo de linguagem dão visibilidade para as relações semânticas subjacentes e para a natureza das dificuldades dos sujeitos.
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