MAPEANDO ESTUDOS NEUROLINGUÍSTICOS DESENVOLVIDOS NO BRASIL: TRÊS DIFERENTES ABORDAGENS TEÓRICO-METODOLÓGICAS Apresentamos 3 laboratórios: (i) o Grupo de Estudos em Psicolinguística e Neurolinguística; (ii) o Grupo de Estudos da Linguagem no Envelhecimento e nas Patologias e (iii) o Laboratório de Acesso Sintático. O GENP (PUCRS), estuda teorias de processamento textual e semântico relacionadas à memória e atenção. O GELEP (UNICAMP) aborda o funcionamento linguístico-cognitivo nas afasias sob a perspectiva sócio-histórico-cultural. O ACESIN (UFRJ) estuda a eletrofisiologia do processamento on-line. A sessão objetiva mapear a Neurolinguística já que ela é agora Área de Conhecimento na ALFAL. Resumo #1Breve panorama de estudos em Neurolinguística desenvolvidos pelo GENP Marco teórico: Os estudos em Neurolinguística desenvolvidos pelo Grupo de Estudos em Neurolinguística e Psicolinguística (GENP) da PUCRS são bastante recentes, seguindo uma tendência em quase todo o país, onde os estudos sob este escopo começam a se consolidar. As bases teóricas que sustentam os estudos do grupo variam de acordo com o objeto a ser estudado, incluindo teorias de processamento textual de Van Dijk, Kintsch, Just e Gernsbacher, teorias de processamento de cognições não linguísticas, e têm suas origens especialmente na Psicologia Cognitiva, como modelos de memória (em especial de Baddeley) e de atenção, o que se justifica pelo caráter multidisciplinar do grupo e de seus interesses de pesquisa. Além disso, sustentam o aporte teórico modelos sobre a organização e o processamento léxico-semântico nas diversas populações investigadas no grupo, em especial nas demências e no bilinguismo. Objetivo: Pretende-se apresentar alguns estudos já desenvolvidos e em andamento no GENP, com ênfase no bilinguismo e no envelhecimento, incluindo envelhecimento saudável, na Doença de Alzheimer e no Comprometimento Cognitivo Leve. Assim. Discutem-se as bases teóricas e metodológicas desses estudos. Metodologia: Serão priorizados os resultados de algumas das pesquisas desenvolvidas no GENP: 1) a compreensão textual de adultos idosos e jovens correlacionada com construtos como memória de trabalho e funções executivas de acordo com a escolaridade; 2) avaliação de compreensão de texto e de processamento semântico na Doença de Alzheimer, comparada à de participantes acometidos por Comprometimento Cognitivo Leve; 3) a organização léxico-semântica no bilinguismo. Resultados: A Neurolinguística é uma área em franca expansão em nosso país, com sua peculiaridade de ser uma arena interdisciplinar por excelência. O GENP procura dar sua contribuição para o fortalecimento desta área, enfatizando a importância de os estudos da linguagem integrarem e fortalecerem cada vez mais a pesquisa sobre o processamento típico e atípico da linguagem humana. Resumo #2Uma abordagem sócio-histórico-cultural da relação cérebro-linguagem: um panorama das pesquisas desenvolvidas no GELEP (IEL/UNICAMP) Marco teórico: A Neurolinguística desenvolvida na UNICAMP, desde os primeiros trabalhos de Coudry (1986/1988), filia-se às abordagens sócio-histórico-culturais, tanto no estudo de questões relativas ao funcionamento cerebral, quanto ao funcionamento da linguagem, inspirada pelos trabalhos de Vygotsky, Jakobson, Jackson, Freud, Luria, Benveniste, Franchi e Bakhtin, dentre outros. Dentre seus objetos de estudo, destacam-se as alterações de linguagem decorrentes de lesões cerebrais como afasias e demências, mas também relativas ao funcionamento “normal”. Objetivos: Apresentar o “Grupo de Estudos da Linguagem no Envelhecimento e nas Patologias” (GELEP/CNPq), abrigado pelo LABONE (Laboratório de Neurolinguística)/UNICAMP, que desenvolve pesquisas sobre a relação cérebro-linguagem na perspectiva sócio-histórico-cultural, destacando, nesta mesa, a questão das afasias. Metodologia: Serão apresentados os princípios teórico-metodológicos que fundamentam as concepções de cérebro e de linguagem, na perspectiva sócio-histórico-cultural, ressaltando dois conceitos da neuropsicologia luriana: o de “Sistema Funcional Complexo” e de “organização extracortical”, que permitem, por exemplo, questionar a semiologia tradicional das afasias e as correlações diretas entre substratos neurais discretos e processamento de unidades linguísticas (como categorias lexicais específicas). Serão apresentados dados de dois sujeitos afásicos – com quadros compatíveis aos chamados “agramatismo” e “jargonafasia”, primeiramente para ilustrar como é feita a transcrição dos episódios e a avaliação de linguagem (fonético-fonológicas, sintático-semânticas, pragmático-discursivas), mas também para dar visibilidade ao tipo de interação desenvolvida com os afásicos no CCA (Centro de Convivência de Afásicos) e aos efeitos dessas interações na reorganização discursiva desses sujeitos. Resultados: Ao longo de quase trinta anos, esta abordagem da Neurolinguística contribuiu significativamente para abrir novas possibilidades para enfrentar teoricamente e clinicamente questões relativas às alterações de linguagem nas patologias. Por estabelecer-se como área de Pós-Graduação na década de 80 na UNICAMP, hoje há pesquisadores e docentes atuando nessa perspectiva em vários estados do Brasil, multiplicando também os centros de convivência de afásicos. Resumo #3Os estudos em eletrofisiologia da linguagem desenvolvidos pelo Laboratório ACESIN (UFRJ) Marco teórico: A área da eletrofisiologia da linguagem, que monitora as ondas elétricas cerebrais (ERPs) relacionadas à produção e recepção de linguagem on-line é ainda estreante no Brasil. A área começou nos EUA na década de 80 com os estudos de psicólogos como Kutas e Hillyard. Até o fim do Sec XX a área experimentou sucesso na Psicologia Cognitiva sendo que os principais ERPs – N100, P300, N400 e P600– foram atestados numas 100 línguas. Estes resultados robustos atraíram o interesse de linguistas. Assim, uma nova área denominada neurociência da linguagem surgiu como uma subespecialidade da Linguística experimental, desde o início deste século, com David Poeppel, Collin Phillips, Ellen Lau, Alec Marantz e Liina Pylkkänen. Esses linguistas produziram estudos seminais sobre computações sutis descritas pela teoria linguística. No Brasil, a área começou em 2002 com a tese de doutorado de França (UFRJ) sobre os tipos de N400 relacionados a diferentes computações de seleção de complemento verbal. A partir de 2006, no Laboratório ACESIN, vimos desenvolvendo estudos de acesso lexical e processamento de sentença sob diversos aspectos teóricos. O ACESIN hoje já formou dois doutores e tem outros sete na reta final de tese, além de 10 mestres e muitos alunos de IC. Além do ACESIN, desde 2010 outros laboratórios vem se formando no sul, nordeste e em Minas Gerais. Objetivos: Apresentar alguns estudos em aquisição, acesso lexical e processamento de sentença desenvolvidos pela comunidade do Laboratório ACESIN. Resultados: Nossos estudos puderam contribuir com a teoria linguística, explicitando melhor a cronologia de computações linguísticas relativas à operação básica de merge, formações morfossintáticas, computações à distância, aspectos da interface sintaxe-semântica e de aquisição de linguagem. Também temos pesquisas em disfunções linguísticas em dislexia e Síndrome de Asperger, mas o enfoque do laboratório é nos estudos on-line do processamento de linguagem sadia. | |
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