S2. Análise de textos literários (Comunicações coordenadas)

ESTUDOS DE DISCURSO E ESTILO: PERSPECTIVAS DA ANÁLISE ESTILÍSTICA
GUARACIABA MICHELETTI (guatti@uol.com.br)
UNICSUL / USP - uNIVERSIDADE crUZEIRO DO SUL / UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

As comunicações reunidas sob esse título trazem três trabalhos relacionados ao Projeto de Pesquisa: Da Retórica à Estilística, do Grupo de Estudos estilísticos (com pesquisadores da USP, UNICSUL, Nova de Lisboa). O foco das apresentações centra-se nos pressupostos de uma Estilística Discursiva, trazendo um trabalho com uma abordagem mais teórica a propósito das análises estilísticas; outro, observando o valor estilístico do léxico em Galáxias, de Augusto de Campos; e, por fim, uma análise estilística do mundo infantil em três tempos: Bilac, Cecília e Paes.

Resumo #1

O lugar da Estilística nos estudos da linguagem
Guaraciaba Micheletti (guatti@uol.com.br)

É nossa preocupação aprofundar pesquisas e discussões com o objetivo de delimitar o lugar da Estilística nos atuais estudos da linguagem. Estudos da linguagem que, nas últimas décadas, sob um enfoque de estudos discursivos e textuais se tem espraiado em várias direções. Nesse contexto, o deve estudar a estilística? Quais os seus limites com as novas disciplinas que se dedicam ao estudo do discurso e do texto? Qual é a herança que lhe deixou a Retórica. Se a Estilística estuda a expressividade dos elementos linguísticos, qual é a sua relação com a Gramática? Quando os estudos sobre texto e discurso se fragmentam em busca de especificidades, qual seria o papel dos estudos estilísticos? Teria sido ultrapassado por uma dessas muitas disciplinas? Essas são algumas das muitas questões com as quais se depara aquele que resolve dedicar-se aos estudos estilísticos.Não temos respostas mais concretas para esses questionamentos, mas com base nas diferentes correntes do século XX, desde os estudos de Bally (1941, 1951), Spitzer (1955), Vossler (1905), passando por Ullmann(1973), Alonso (1950), Lapa (1945) Jakobson (1970, 1980), Molinié (1989) Cressot (1980) Orecchioni (2006) e outros chegamos às teorias da enunciação que, não pondo à margem a estilística do enunciado, abrem novos caminhos para um estudo dos aspectos expressivos da linguagem. Nessa perspectiva, propõe-se uma estilística discursiva que tenha como ponto de partida a enunciação.

Resumo #2

Lexicologia e discurso: uma análise estilística de criações lexicais interdiscursivas em “Galáxias”, de Haroldo de Campos
Alessandra Ferreira Ignez (ale_ignez@hotmail.com)

Os estudos lexicais, como assinala Valente (2010), por certo tempo, deixaram de lado os aspectos discursivos das lexias e, por outro lado, trabalhos voltados para o discurso não atribuíram à palavra seu devido valor. Hoje, as diversas linhas de análise do discurso, bem como a Estilística, procuram observar o papel discursivo e dialógico das unidades lexicais, relacionando, portanto, lexicologia e enunciação. No que tange particularmente à criatividade lexical, Valente (2012) verifica que no âmbito das pesquisas neológicas existe uma tentativa de se atrelar léxico e discurso, constatando que é preciso debruçar-se sobre a neologia intertextual. Nas palavras de Brandão (2012), toda palavra é dialógica, porém observamos que algumas deixam evidentes outras vozes, obtendo no discurso um papel, sobretudo, dialógico, evocativo. Observando a importância da integração de lexicologia e discurso, esta apresentação pretende analisar alguns casos de neologismos interdiscursivos na obra “Galáxias”, de Haroldo de Campos, tentando entender suas remissões dialógicas e seus efeitos de sentido para o discurso. Como se trata de neologia estilística, pois o autor é motivado a criar novas unidades lexicais para suprir suas necessidades expressivas, este trabalho usará como ferramenta de análise a Estilística, que procura entender também os efeitos de sentido obtidos pela seleção e pela criação de palavras para um dado contexto de enunciação.

Resumo #3

Representações do mundo infantil em três tempos: Bilac, Cecília e Paes
Ana Elvira Luciano Gebara (aegebara@uol.com.br)

A poesia para crianças apresenta um espaço para a formação do leitor de poesia ao mesmo tempo que nos revela os valores e a perspectiva do que seja o infantil em uma determinada época para grupos sociais específicos aos quais se filiam ou com os quais aderem os poetas. Seguindo essa visão sobre dois dos efeitos colaterais da poesia, nesta apresentação, o objetivo é identificar, em três poemas que tratam de elementos do cotidiano infantil - a boneca em Bilac; as decisões do isso ou aquilo em Cecília; e o espaço escolar em Paes –, o ethos desse grupo em três tempos. Para isso, analisaremos as vozes presentes nos poemas, projetadas, principalmente, nas escolhas lexicais. Embora o poema seja o espaço da voz do eu lírico, as projeções de outras vozes orquestradas por esse “eu” permitem a determinação dos ethé para além da temática como um processo que visa a educação dos minileitores. Dessa maneira, utilizaremos como fundamentação teórica Martins (2003), com o instrumental da Estilística da Enunciação; Maingueneau (2008) sobre a questão do ethos discursivo; Paes (1996) sobre a poesia para crianças.


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