Por que aprender língua portuguesa em uma universidade da região dos balcãs? Partindo de uma experiência de 2 meses como professora de português língua estrangeira (PLE) na Universidade de Belgrado, na Sérvia, proponho uma reflexão acerca dos discursos de 150 alunos que, ao responderem àquela questão, reestabelecem discursos outros que me incitam a pensar no lugar discursivo do português brasileiro nessas formulações/formações. Em tal interdiscursividade, interesso-me, principalmente, pelos efeitos de sentido definidores de certo imaginário sobre o Brasil, sua cultura e seus estereótipos. Assim, faço funcionar conceitos da Análise do Discurso de linha francesa, notadamente os assentados na relação inescapável entre língua, história e memória, para analisar um corpus que aponta o seguinte: é necessário (i) implementar propostas de trabalhos que desestabilizem certas certezas e convicções estereotipadas principalmente em materiais didáticos; (ii) incentivar, no contexto estudado, práticas de pesquisas que focalizem a formação do professor de PLE; (iii) definir estratégias que deem relevo não somente ao conhecimento da língua por ela mesma, mas também aos aspectos sociais e culturais, ultrapassando a cadeia significante e atingindo o nível (inter)discursivo.
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