Nesta comunicação, tratamos, de uma perspectiva fonológica, das chamadas hipersegmentações de palavras, que se caracterizam por haver espaço em branco dentro dos limites de palavra onde não previsto pela ortografia, como “de volvido”, “conhe cido”. A motivação da presença não convencional de fronteiras de palavras está, por hipótese, na confluência de informações prosódicas e semânticas (Abaurre, 1991), além de informações letradas. Nesta apresentação, o objetivo geral é fazer uma análise prosódica e rítmica de dados de hipersegmentação e o objetivo específico é discutir em que medida essas grafias podem ser interpretadas como pistas de acentos secundários (Collischonn, 1994) e/ou de pés métricos preferenciais do Português Brasileiro – PB – (Bisol, 2000, 1992). Adotamos a perspectiva defendida por Abaurre (1996) sobre os dados de escrita, segundo a qual grafias não convencionais de palavras podem ser tomadas como pistas de configurações prosódicas e rítmicas da língua. O material, composto de 2.469 textos oriundos de um banco de dados de escrita do ensino fundamental II, levou à identificação de 1.768 ocorrências de segmentações não convencionais de palavras, sendo 433 hipersegmentações definidas pela presença não convencional do branco e 373 grafias relacionadas aos usos não convencionais do hífen. Partimos da hipótese de que a organização prosódica da língua (tal como proposta por Nespor e Vogel, 1986), e, particularmente, a constituição dos domínios prosódicos pé métrico e palavra fonológica no PB (tal como propõe Bisol, 2000, 2005, 2006), motiva, em certa medida, as regularidades observadas nos registros não convencionais das palavras que identificamos. Desse modo, a presença do espaço em branco dentro dos limites da palavra gráfica e os usos não convencionais do hífen são interpretados como pistas da percepção de proeminências prosódicas, notadamente acentos secundários, e de constituintes prosódicos, especialmente pés métricos.(apoio: FAPESP 2013/14.546-5 e CNPQ 309.872/2012-0)
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