O objetivo principal deste trabalho é descrever os padrões de transferência envolvidos na organização estrutural e conceitual dos conectores condicionais em português, identificando os princípios gerais que sistematizam essa categoria. Reconhece-se aí, principalmente, que o significado dos conectores é formado a partir da interação entre determinações semântico-pragmáticas e cognitivo-perceptivas. O significado de condição, que, de modo mais amplo, pode ser explicado pelo estabelecimento de causalidade não preenchida entre duas proposições, manifesta-se em nuances semântico-pragmáticas diversas (HAIMAN, 1978; TRAUGOTT, 1985, 1986; SWEETSER, 1990; DANCIGYER, 1998; SCHWENTER, 1999; NEVES, 1999; DANCYGIER, SWEETSER, 2005) que desembocam nos diferentes subtipos de condicional. Assim, este trabalho pretende investigar de que maneira os diferentes traços implicados na condicionalidade (predição, hipoteticidade, alternatividade, disanciamento epistêmico, não assertivifdade, contexto de fundo) manifestam-se, em maior ou menor grau, em construções iniciadas por conectores. Além disso, como o significado condicional é considerado a partir de suas múltiplas possibilidades, o mapeamento dos domínios conceituais possibilita entender quais traços específicos dão origem a quais tipos de oração condicional. Os dados desta pesquisa serão coletados no Corpus do português (FERREIRA, DAVIES, 2005).
|