Parte de um projeto mais amplo, que tem por objetivo analisar influências, retóricas e grupos de especialidade na linguística brasileira, a comunicação individual a ser apresentada, no Projeto 9 – Historiografia Linguística, tem como principal foco de observação o discurso empregado por linguistas em momentos revolucionários (ou assim considerados) de ruptura na história do conhecimento sobre a linguagem. Para tanto serão colocados em eixo analítico posicionamentos em artigos programáticos de dois projetos de investigação, a Gramática Construtural e a Gramática Gerativa, circunscritas, para a comunicação, às proposições e argumentações dos pesquisadores nas décadas de 1960 e 1970 na linguística brasileira. A análise a ser apresentada tem como marco teórico os estudos da Historiografia Linguística, tal como delineada por autores como Konrad Koerner e Pierre Swiggers, tendo como direcionamento central a definição de parâmetros internos e externos de análise, considerados em permanente relação e implicação. A partir da definição de elementos característicos da filosofia de cada programa de investigação e de elementos de natureza sociológica, estabelecendo a inserção social dessas propostas de análise linguística em grupos de especialidade e modos de articulação argumentativa, o trabalho traça como orientação metodológica principal a construção de uma rede de implicações explicativa para interpretar episódios específicos do desenvolvimento da ciência da linguagem no Brasil. Como resultados parciais de um trabalho em desenvolvimento, apontam-se elementos característicos de uma retórica que muitas vezes não se alia a práticas consolidadas na pesquisa dos diferentes grupos de especialidade.
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