Neste artigo, tratamos da variação linguística entre o pretérito imperfeito e perífrases imperfectivas e a sua relação com os planos discursivos figura e fundo. Deram suporte a nossa pesquisa, dentre outros, pressupostos do Funcionalismo Linguístico (HOPPER e THOMPSON, 1980; GIVÓN, 1990) e da Teoria da Variação e Mudança (LABOV, 1978). Nossos dados provêm de vinte e quatro contos escritos por autores de língua espanhola, selecionados a partir do parâmetro comarca cultural: Caribe; México e América Central; Andes; Rio da Prata; Chile e Espanha.Selecionamos o corpus com o objetivo de, a partir dele, analisar a expressão do passado imperfectivo e apresentar tendências de uso, sem apontarmos generalizações de uso das formas analisadas, para outros contextos. Para cada comarca, selecionamos quatro narrativas. O volume textual de cada conto selecionado é de, aproximadamente, 8 a 10 páginas, perfazendo um corpus que tem, em média, de 30 a 40 páginas por comarca cultural. Obtivemos um total de 2093 dados, sendo que 1803 desses são de formas do pretérito imperfeito do indicativo, 86,15% do total, e 290 de perífrases imperfectivas de passado, o que corresponde a 13,85% do total. Ademais, foi realizado o mapeamento funcional e, nas funções em que houve variação, investigamos fatores linguístico e extralinguísticos que condicionaram o uso das variantes. Além de explicitar a variável linguística, objetivamos, neste trabalho, analisar o relevo discursivo como motivação para a ocorrência de uma ou outra forma. Para alcançarmos tal intento, recorremos à análise estatística e utilizamos o programa GOLDVARB (2005), do pacote computacional denominado VARBRUL. No que tange ao mapeamento funcional das formas imperfectivas de passado, encontramos: a) funções codificadas por uma forma (contexto categórico): cortesia, contrariedade, iteratividade, futuridade, presente, simultaneidade e lúdica; b) funções em que há variação (competição entre o pretérito imperfeito e a forma perifrástica): narrativa, descritiva, habitual e desejo.
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