Tendo como arcabouço teórico a Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008), pretende-se, neste trabalho, mostrar o funcionamento das construções relativas em todas as variedades, que têm o português como língua oficial. Os dados são extraídos do córpus “Português Falado”, produzido pelo Projeto “Português Falado, Variedades Geográficas e Sociais” e coordenado pelo CLUL (Centro de Linguística da Universidade de Lisboa). O objetivo é mostrar que as relativas restritivas e não-restritivas são formuladas pragmática e semanticamente de forma diferente, o que reflete em diferentes formas de codificação fonológica. Apesar de as construções serem morfossintaticamente idênticas, já que em ambas um núcleo nominal recruta uma oração, demonstra-se que as escolhas efetuadas pelo Falante no Nível Interpessoal, determinam, considerando os objetivos que ele tem em mente, as modificações que deseja efetuar na informação pragmática do Ouvinte e as informações do contexto discursivo e situacional, a ordem dos constituintes na oração relativa, levando o Falante à escolha de um dos seguintes moldes de conteúdo: tético, apresentacional ou categorial (cf. HENGEVELD; MACKENZIE, 2008; SMIT, 2007). Além disso, propõe-se a existência de um terceiro tipo de relativa, denominada relativa discursiva, que relaciona porções textuais maiores que a oração.
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