Este trabalho tem por objetivo desenvolver estudo de caso a respeito do conceito de latim vulgar defendido por dois dos romanistas brasileiros: Silva Neto e Theodoro Maurer Jr. O primeiro atuou como professor de Filologia Românica, na antiga Faculdade de Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ), assumindo a Cadeira em 1957. O segundo tornou-se catedrático de Filologia Românica, em 1952, na Universidade de São Paulo. Ali introduziu o curso de Linguística Indo-Europeia que abriu as portas para a Linguística Geral (cf. BLIKSTEIN, 1994; ALTMAN, 2004). Amparado teórico e metodologicamente pela História das Ideias Linguísticas (AUROUX 1992, 1994, 2006, 2008); (COLOMBAT, FOURNIER, PUECH 2010) e pela Historiografia Linguística (SWIGGERS 1981), (HYMES, 1983) e (MURRAY, 1994), neste trabalho visamos a apresentar um estudo das obras e autores romanistas referidos com o objetivo de: demonstrar o quanto muitas das questões suscitadas no âmbito da Sociolinguística atual já estavam anteriormente no domínio das preocupações dos estudos românicos e levantar possíveis causas que tenham suscitado posições antagônicas desses dois autores a respeito do mesmo objeto: o latim vulgar.
Partimos do pressuposto de que o fazer científico está ligado às comunidades científicas e aos centros acadêmicos, que têm a função social geral de validação e de legitimação das práticas científicas, segundo nos fala Auroux (2008, p. 130); e de que nos fala Murray (1994, p. 10), a partir da ideia de “Colégios” e “Redes Científicas Invisíveis”. Sendo assim, segundo entendemos, um dos pontos quentes [HOTPOINTS] que envolveram as duas comunidades científicas da época (tanto paulista quanto carioca) havia sido a discussão a respeito do conceito de latim vulgar. Discussão que se estendeu para o campo da Crítica Textual (ou Edótica), em que podemos ver a posição de filólogos cariocas sendo obliteradas pela dos paulistas, no que diz respeito ao pioneirismo daqueles nesta área.
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