S1. Análise de estruturas linguísticas - Sintaxe (Pôsteres)

ALÇAMENTO DE CONSTITUINTES EM POSIÇÃO ARGUMENTAL DE SUJEITO SOB PERSPECTIVA FUNCIONAL
GUSTAVO DA SILVA ANDRADE 1
1. UNESP - Universidade Estadual Paulista
andrade_riopreto@hotmail.com



O alçamento de constituintes talvez seja um dos mais intrigantes fenômenos nas línguas naturais (SERDOBOL’SKAYA, 2008), razão que nos leva a oferecer, neste trabalho, uma descrição do alçamento de constituintes argumentais sujeitos da subordinada para a posição sujeito da matriz (ASS), no português brasileiro (PB), sob a perspectiva funcional. Com base na literatura, adotamos um conjunto de expedientes morfossintáticos (concordância ou não do constituinte alçado com os predicados matriz e/ou encaixado; presença de pronome cópia; tipo de conector entre matriz e encaixada), semânticos (semântica do predicado matriz; referencialidade e animacidade do constituinte alçado) e pragmáticos (topicalidade; status informacional do constituinte alçado). Em decorrência de nossa opção teórica, empreendemos a descrição do fenômeno de ASS com base em córpus empírico. Para o levantamento dos dados, recorremos a amostras de fala do Banco de Dados IBORUNA. Indo ao encontro do que é proposto por Dik (1979), consideramos, também, que a posição dos constituintes é motivada por razões sintáticas, semânticas e pragmáticas, e, embora utilizemos o termo ‘raising’ (alçamento), o fenômeno não envolve uma transformação de uma configuração básica em outra derivada (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008). Relativamente ao PB, para o ASS, (i) não há ocorrências com pronome cópia; (ii) a redução oracional parece opcional; (iii) há uma série de ajustes morfossintáticos do constituinte alçado com os predicados matriz e encaixado e, por fim, (iv) quanto ao status informacional do constituinte alçado, há uma correlação do ASS a sintagmas nominais (SN) dados e inferíveis. Em 73% das ocorrências, os constituintes alçados representavam tópicos dados, em revelando a topicalidade como fator relevante para o alçamento do SN. (GIVÓN, 2001) Atestamos a suficiência dos parâmetros adotados para a identificação do fenômeno, mas, não, para sua definição corrente, fato que nos instiga a prosseguir com a investigação em busca de uma definição mais precisa.


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