S3. Análise do Discurso (Comunicações)

O ARTIGO DE OPINIÃO SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA SEMIOLINGUÍSTICA DO DISCURSO
FÁBIO GUSMÃO DA SILVA 1
1. UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
fabiogusmaos@bol.com.br



A argumentação é um setor de atividade da linguagem que sempre despertou fascínio, desde a antiguidade, com a retórica dos gregos, que dela fizeram o seu fundamento das relações sociais, até os dias de hoje, tornando-se objeto de estudo de inúmeros pesquisadores e de muitas áreas do conhecimento no campo da linguagem. Uma delas é a Semiolinguística, de Patrick Charaudeau, uma das vertentes teóricas da Análise do Discurso, de linha francesa, que privilegia esse fenômeno da linguagem e entende o discurso como um “jogo comunicativo”, cujas peças são a sociedade e suas produções linguageiras. Nessa perspectiva, temos por objetivo, neste trabalho, analisar um gênero textual que se vale da argumentação para comentar, avaliar e responder a uma questão controversa: o artigo de opinião. Esse texto, de cunho opinativo, analisa fatos relevantes acerca do cotidiano, e, por meio dele, é possível observar as mais variadas opiniões dos diferentes segmentos da sociedade. O caráter argumentativo do texto de opinião é evidenciado pelas justificativas de posições arroladas pelo autor para convencer os leitores da validade da análise que ele faz. O texto que escolhemos para abordar as questões inerentes à argumentação pelo viés da Semiolinguística é de Cristovão Tezza, escritor e articulista da Gazeta do Povo, principal jornal do estado do Paraná, que constrói o seu ponto de vista sobre a prova de redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), e expõe a sua opinião acerca da correção desse instrumento de avaliação que recentemente despertou muitos questionamentos. As reflexões inerentes aos pressupostos teóricos sobre os Modos de Organização do Discurso, mais especificamente o Modo Argumentativo, que constituem o referencial teórico desse trabalho, são explanadas pelo viés da Teoria Semiolinguística do Discurso, de Charaudeau (2008), e de algumas abordagens de Gouvêa (2006) e Oliveira (1997).


462