Introdução: Apresentaremos uma síntese de uma pesquisa historiográfica de base kuhniana sobre a constituição do paradigma gerativista dentro das pesquisas em Neurolinguística e como surgem os primeiros trabalhos de Coudry, a partir de meados da década de 80, fundando uma Neurolinguística de base sócio-histórico-cultural. Para tanto, destacaremos vantagens e limites metodológicos das duas abordagens – dado que são estes os aspectos que contribuem mais expressivamente para o que Kuhn denomina revoluções científicas, que se relacionam ao surgimento de paradigmas diferentes – e refletiremos sobre a maneira como a constituição de ambas leva ao momento de coexistência que observamos atualmente. Objetivos: (i) mobilizar reflexões da Historiografia Linguística e da História da Ciência para o campo específico da Neurolinguística; (ii) destacar as questões teóricas e metodológicas envolvidas nas pesquisas em Neurolinguística desenvolvidas a partir de bases gerativistas e sócio-histórico-culturais. Metodologia: Levantamento bibliográfico e análise de pesquisas em Neurolinguística, observando, nas mesmas, o aparato teórico, as metodologias e técnicas empregadas pelos pesquisadores, tanto de bases gerativistas quanto sócio-histórico-culturais, a fim de estabelecer relações entre o funcionamento da pesquisa em cada uma das abordagens e suas particularidades. Conclusões parciais: Observam-se diferenças não somente no campo teórico, mas também no campo metodológico e prático, com a adoção de técnicas distintas de observação e análise de dados, variando de acordo com a perspectiva adotada, os objetivos de cada pesquisa e o que cada uma se propõe a analisar. Atualmente, as pesquisas de bases gerativistas e de bases sócio-histórico-culturais estão em um momento de coexistência, em que se observa um crescimento da segunda por contingências históricas que, da mesma forma que influenciaram o surgimento e a sedimentação do Gerativismo, agora parecem também favorecer o crescimento de outras perspectivas.
|