No II CIFALE, ocorrido na UFRJ em 2013, foi demonstrado que as construções com se,
as consideradas tradicionalmente passivas sintéticas, são recorrentes na fala de Oeiras,
Cacém e Funchal, realizando-se com mais frequência nesta comunidade de fala, tanto
na forma do plural, conforme destaque em (1), quanto na do singular, exemplo em (2).
(1) muitos dos problemas resolvem-se por dupla negociação por por cartas
(Funchal)
(2) enchi os sapatos de lama- nem se via os sapatos
(Oeiras)
Os dados fazem parte do Corpus Estudo comparado dos padrões de concordância em
variedades africanas, brasileiras e europeias, sendo examinados do ponto de vista dos
pressupostos da Teoria da Variação e Mudança, nos moldes labovianos, e submetidos
ao Programa computacional Goldvarb. Destacaram-se, entre os grupos selecionados
como relevantes, a variável estrutural animacidade do sintagma nominal considerado
sujeito e as variáveis extralinguísticas faixa etária e gênero. O objetivo deste trabalho
é estabelecer uma comparação entre esses resultados e os que ainda serão obtidos
para a variedade santomense, cujas realizações partem do Corpus VARPOR, do
Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, e receberão o mesmo tratamento
metodológico dispensado ao estudo da fala de Oeiras, Cacém e Funchal. O interesse
por esse contraponto reside no fato de que o português não consiste na única língua
falada em São Tomé e Príncipe, mas coexiste com outras línguas, como, por exemplo,
o forro, tratando-se, pois, de uma realidade distinta da que ocorre com o português
europeu. Busca-se verificar se, nos casos das construções com se acima mencionadas,
há diferenças de comportamento, ou não, entre as duas variedades.
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